VINHOS DE PORTUGAL: DIVERSOS E EXCLUSIVOS

**The translation is at the buttom**

Por Anibal José-Coutinho, enólogo consultor e autor dos vinhos ASTRONAUTA e ESCONDIDO

Primeira parte: 

VINHOS PORTUGUESES DO ATLÂNTICO

O vinho é a mais humana das bebidas. Na civilização ocidental, é confidente da História, acompanha todas as dimensões da vida humana, desde as mais básicas até às mais sofisticadas, representa o sagrado e o profano, o íntimo e o público. A intensa representação social do vinho transporta-o para todos os eventos da nossa vida privada. Não se concebe a celebração de um baptismo, de um casamento ou de um aniversário sem a festividade que o vinho transmite. E o que dizer de um encontro romântico? 

Mosaico de regiões, castas e tradições, o vinho e a vinha cruzam Portugal de Norte a Sul e do litoral até à fronteira interior com a Espanha. Todas as famílias portuguesas têm alguma relação com esta cultura. As regiões e denominações de origem mencionadas em qualquer garrafeira obedecem a três grandes influências geo-climáticas: a frescura húmida do Atlântico abençoa o Minho e o seu Vinho Verde, a zona litoral das Beiras com a Bairrada e a região de Lisboa, para além das nossas ilhas adoradas. Os regiões de Montanha de Portugal concentram e dão cor aos vinhos de Trás-os-Montes, do Douro, do Dão e da região da Beira Interior. O Sul de Portugal engloba o volume de vinhos macios e frutados do Tejo, da Península de Setúbal, do Alentejo e do Algarve.

Os VINHOS ATLÂNTICOS têm um amplo espectro de combinação com a nossa gastronomia tradicional devido, precisamente, à sua elevada acidez e à juventude dos seus taninos que combinam facilmente com as proteínas alimentares. Com vinhos tintos, experimente jardineira ou feijoada de carne e panelas de caça da época, com molhos poderosos. Para brancos e rosés, saboreie peixes da costa ou mariscos, tudo cozinhado com leveza.

Vinhos leves e pouco alcoólicos/boa, acidez natural/efeito “crispy” e fresco dos vinhos/difícil maturação fenólica.

CASTAS DO VINHO VERDE (MINHO)

BRANCAS: Alvarinho, Arinto (ou Pedernã), Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura. 

TINTAS: Espadeiro e Vinhão.

SABIA QUE Apesar de existir uma Denominação de Origem apelidada de Vinho Verde, isso não reflete uma cor de vinho. Ao contrário do que se pode julgar pela leitura de inúmeras cartas de vinho da nossa restauração, a enologia só consegue fazer vinhos classificados em 3 cores: Branco, Rosé e Tinto. A designação “Vinho Verde” pode ter duas justificações: a necessidade ancestral de contrariar a chegada da chuva e humidade em meados de Setembro, colhendo as uvas ainda sem se ter alcançado o ponto ideal de maturação, ou seja, colhendo-as ainda verdes. Por outro lado, o vinho era consumido muito jovem, ou muito verde, ainda com a presença do borbulhar do final dos processos fermentativos, sempre associado à sua elevada acidez natural.

CASTAS DA BAIRRADA

BRANCAS: Maria Gomes (ou Fernão Pires), Bical e Cercial

TINTAS: Baga, Touriga Nacional

SABIA QUE – A Denominação de Origem certifica também espumantes brancos, tintos e rosés. Para obterem a designação de DOC Bairrada, os espumantes devem ser produzidos conforme o método clássico de fermentação em garrafa e estágio de, pelo menos, 9 meses antes da colocação da rolha final. As castas empregues nos espumantes são sobretudo a Bical e a Maria Gomes mas também têm relevância a casta branca Chardonnay. Com a casta tinta Baga, os produtores podem declarar DOC Baga Bairrada, Blanc de Noirs, principalmente. São produzidas anualmente cerca de dez milhões de garrafas de espumante, grande parte consumida na maridagem regional de sucesso com o Leitão da Bairrada.

CASTAS DE LISBOA

BRANCOS: Arinto, Malvasia Rei, Fernão Pires e Vital

VERMELHO: Castelão, Santareno, Tinta Roriz (ou Aragonez)

SABIA QUE A Indicação Geográfica Protegida (IGP) Lisboa inclui pequenos DOC Encostas d’Aire, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Lourinhã (apenas para bebidas espirituosas), Bucelas, Colares, Carcavelos (vinho licoroso). Na Europa, os vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOC) devem ser elaborados de modo qualitativo, numa pequena região de características únicas, com castas diferenciadas e locais, onde a tradição e a arte de gerações modelaram vinhas e vinhos que levam o consumidor a pagar um valor (bastante) superior como compensação pelo prazer e exclusividade proporcionados. Em Portugal, uma das poucas DOC’s que conseguiram esta diferenciação foi Colares, com a casta tinta Ramisco e a casta branca Malvasia de Colares. Também Bucelas é a única DOC em Portugal só aprovada para vinho branco, com a dominância da casta Arinto.

CASTAS DA MADEIRA 

BRANCAS: Sercial (Seco), Verdelho (Semi-Sec), Boal (Semi-Doce), Malvasia (Doce)

TINTAS: Tinta Negra, Bastardo, Complexa

AÇORES PATRIMÓNIO MUNDIAL

Em pleno Oceano Atlântico situa-se o Arquipélago dos Açores onde, das nove ilhas, cinco têm cultivo da vinha: São Miguel, Terceira, Graciosa, Pico e São Jorge. No passado, e com base nas castas Verdelho e Arinto dos Açores, estes vinhos tornaram-se famosos e muito exportados. A realidade actual focaliza-se no consumo doméstico e no interesse cultural, onde se destaca o vinho de cheiro produzido com a casta americana Isabella. A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico foi inscrita como Património Mundial em 2004. 

COMENTÁRIO DA FOTO A família de Aníbal José-Coutinho é proprietária do Clos Escondido, perto da mítica vila de Sintra, no IGP Lisboa. Os dois pequenos vinhos de garagem foram classificados por Robert Parker com 93+ (o branco) e 95+ (o tinto).

Vins du Portugal : Divers et Exclusifs

Par Anibal José-Coutinho, œnologue-conseil et professeur en Analyse Sensorielle

LES VINS PORTUGAIS DE L’ATLANTIQUE

Le vin est la plus humaine des boissons. Dans la civilisation européenne, il est un confident de l’histoire. Il accompagne toutes les dimensions de la vie humaine, des plus basiques aux plus sophistiquées. Il représente le sacré et le profane, l’intime et le public. L’intense représentation sociale du vin le transporte dans tous les événements de notre vie privée. On ne peut concevoir de célébrer un baptême, un mariage ou un anniversaire sans la festivité que véhicule le vin. Et que diriez-vous d’un rendez-vous amoureux ?

Mosaïque de régions, de cépages autochtones et de traditions, le vin et les vignobles traversent le Portugal du Nord au Sud et de la côte à la frontière intérieure. Toutes les familles portugaises ont une certaine relation avec cette culture. Les régions et les appellations officielles mentionnées obéissent à trois influences géoclimatiques majeures : 

1. La fraîcheur humide de l’Atlantique que bénit le Minho et son Vinho Verde, de la zone côtière de Bairrada, de la région de Lisbonne et de nos îles Atlantiques bien-aimées: Madère et Açores. 

2. La viticulture de Montagne du Portugal concentre et donne de la couleur aux vins de Trás-os-Montes, Douro, Dão et de l’appellation Beira Interior. 

3. Le sud du Portugal englobe le volume de vins doux et fruités du Tejo (Tage), de la Péninsule de Setúbal, de l’Alentejo et de l’Algarve.

Les VINS DE L’ATLANTIQUE ont un large spectre de combinaison avec notre gastronomie traditionnelle en raison, précisément, de leur acidité élevée et de la jeunesse de leurs tanins qui se combinent facilement avec les protéines des aliments. Avec des vins rouges, essayez les viandes blanches et gibiers, en saison, avec des sauces puissantes. Pour les blancs et les rosés, régalez-vous des fruits de mers de la côte ou des crustacés, le tout cuisiné avec légèreté.

Vins légers et peu alcoolisés, bonne acidité naturelle et un effet croquant. Vins frais avec une maturation phénolique assez notée.

Cépages du Vinho Verde (Minho)

Blancs: Alvarinho, Arinto (ou Pedernã), Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura. 

Rouges: Espadeiro e Vinhão.

Bien qu’il existe une Appellation d’Origine surnommée Vinho Verde (vin vert), celle-ci ne reflète pas une couleur de vin. Contrairement à ce que vous pouvez juger en lisant les nombreuses cartes des vins de nos restaurants. L’œnologie ne peut faire que des vins classés en 3 couleurs : blanc, rosé et rouge. L’appellation “vert” nomme le besoin ancestral de contrecarrer l’arrivée de la pluie et de l’humidité à la mi-septembre, en vendangeant les raisins sans avoir atteint le point de maturation idéal, c’est-à-dire en les cueillant lorsqu’ils sont encore verts. 

Cépages de Bairrada

Blancs: Maria Gomes (ou Fernão Pires), Bical, Arinto e Cercial

Rouges: Baga, Touriga Nacional

Mousseux. La loi Portugaise des Appellations d’Origine certifie également les vins mousseux blancs, rouges et rosés. Pour obtenir l’appellation AOC Bairrada, ils doivent être élaborés selon la méthode classique de fermentation en bouteille et élevés au moins 9 mois avant le dégorgement. Les cépages utilisés sont principalement Bical et Maria Gomes, mais aussi le Chardonnay. Avec le cépage rouge Baga les vignerons peuvent déclarer “AOC Baga Bairrada”, blanc de noirs, principalement. Environ dix millions de bouteilles de vin mousseux sont produites par an, ce qui représente la moitié de la production nationale, dont une grande partie est consommée dans le cadre gastronomique de l’accord régionale avec le cochon de lait rôti.

Cépages de Lisboa

Blancs: Arinto, Malvasia Rei, Fernão Pires e Vital

Rouges: Castelão, Santareno, Tinta Roriz (ou Aragonez)

L’Indication Géographique Protégée Lisboa comprend des petits AOC: Encostas d’Aire, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Lourinhã (uniquement pour eaux-de-vie), Bucelas, Colares et Carcavelos (vin muté). En Europe, les vins d’appellation d’origine protégée, connus sous le nom “AOC”, doivent être produits de manière supérieure, dans une petite région aux caractéristiques uniques, avec des cépages différenciés, où la tradition et l’art des générations ont façonné des vignobles et des vins qui mènent le consommateur à payer une valeur plus élevée en compensation du plaisir et de l’exclusivité procurés. Au Portugal, l’une des rares AOC à avoir réussi cette différenciation est Colares, avec le cépage rouge Ramisco et le blanc Malvasia de Colares. Bucelas est également la seule AOC au Portugal uniquement pour le vin blanc, dominé par le cépage Arinto (de Bucelas).

Cépages de Madeira (Madère)

Blancs: Sercial (sec), Verdelho (demi-sec), Boal (demi-doux), Malvasia (doux)

Rouges: Tinta Negra Mole, Bastardo, Complexa.

Patrimoine viticole mondial des Açores. Au milieu de l’océan Atlantique se trouve l’archipel des Açores où, sur les neuf îles, cinq ont des vignobles : São Miguel, Terceira, Graciosa, Pico et São Jorge. Dans le passé, et basés sur les cépages Verdelho et Arinto dos Açores, ces vins sont devenus célèbres et très exportés. La réalité actuelle se concentre sur la consommation domestique et l’intérêt culturel, où se distingue le vin parfumé produit avec la variété américaine Isabella. Le paysage volcanique viticole de l’île de Pico a été inscrit sur la liste du patrimoine mondial en 2004.

COMMENTAIRE PHOTO La famille de Anibal Jose-Coutinho est le propriétaire du Clos Escondido, aux alentours de la mythique ville de Sintra, dans l’IGP Lisboa. Les deux petits vins de garage ont été notés par Robert Parker avec 93+ (le blanc) et 95+ (le rouge).

Wines of Portugal: Diverse and Exclusive

By Anibal José-Coutinho, consultant oenologist and professor of Sensory Analysis

PORTUGUESE WINES FROM THE ATLANTIC

Wine is the most human of beverages. In European civilization, it’s a confidant of history. It accompanies all dimensions of human life, from the most basic to the most sophisticated. It represents the sacred and the profane, the intimate and the public. The intense social representation of wine carries it into all the events of our private lives. It is impossible to conceive of celebrating a baptism, a wedding or a birthday without the festivity conveyed by wine. And how about a romantic date?

A mosaic of regions, native grape varieties and traditions, wine and vineyards cross Portugal from North to South and from the coast to the internal border. All Portuguese families have some relationship with this culture. The regions and official names mentioned obey three major geoclimatic influences:

1. The humid freshness of the Atlantic blessed by the Minho and its Vinho Verde, the coastal area of Bairrada, the Lisbon region and our beloved Atlantic islands: Madeira and the Azores.

2. The mountain viticulture of Portugal concentrates and gives color to the wines of Trás-os-Montes, Douro, Dão and the Beira Interior appellation.

3. Southern Portugal encompasses the volume of sweet and fruity wines from the Tejo (Tage), the Setúbal Peninsula, the Alentejo and the Algarve.

ATLANTIC WINES have a wide spectrum of combination with our traditional gastronomy due, precisely, to their high acidity and the youthfulness of their tannins which combine easily with food proteins. With red wines, try white meats and game, in season, with powerful sauces. For whites and rosés, enjoy seafood from the coast or shellfish, all cooked lightly.

Light and low alcohol wines, good natural acidity and a crunchy effect. Fresh wines with a fairly noted phenolic maturation.

Vinho Verde (Minho) grape varieties

Whites: Alvarinho, Arinto (or Pedernã), Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura.

Reds: Espadeiro and Vinhão.

Although there is a Denomination of Origin nicknamed Vinho Verde (green wine), this does not reflect a color of wine. Contrary to what you can judge by reading the many wine lists of our restaurants. Oenology can only make wines classified in 3 colors: white, rosé and red. The term “green” refers to the ancestral need to thwart the onset of rain and humidity in mid-September, by harvesting the grapes without having reached the ideal ripening point, i.e. by picking them when they are still green. 

Bairrada grape varieties

Whites: Maria Gomes (or Fernão Pires), Bical, Arinto e Cercial

Reds: Baga, Touriga Nacional

Sparkling. The Portuguese Denominations of Origin law also certifies white, red and rosé sparkling wines. To obtain the AOC Bairrada appellation, they must be made using the classic bottle fermentation method and aged for at least 9 months before disgorging. The grape varieties used are mainly Bical and Maria Gomes, but also Chardonnay. With the Baga red grape, the winegrowers can declare “AOC Baga Bairrada”, mainly blanc de noirs. About ten million bottles of sparkling wine are produced per year, representing half of national production, much of which is consumed within the gastronomic framework of the regional agreement with roast suckling pig.

Lisboa grape varieties

Whites: Arinto, Malvasia Rei, Fernão Pires and Vital

Reds: Castelão, Santareno, Tinta Roriz (or Aragonez)

The Protected Geographical Indication Lisboa includes small DOs: Encostas d’Aire, Óbidos, Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Lourinhã (only for spirits), Bucelas, Colares and Carcavelos (mutated wine). In Europe, wines with protected designation of origin, known as “AOC”, must be produced in a superior way, in a small region with unique characteristics, with differentiated grape varieties, where tradition and the art of generations have shaped vineyards and wines that lead the consumer to pay a higher value in return for the pleasure and exclusivity provided. In Portugal, one of the few AOCs to have succeeded in this differentiation is Colares, with the red variety Ramisco and the white Malvasia de Colares. Bucelas is also the only AOC in Portugal solely for white wine, dominated by the Arinto grape variety (from Bucelas).

Madeira grape varieties (Madeira)

Whites: Sercial (dry), Verdelho (semi-dry), Boal (semi-sweet), Malvasia (sweet)

Reds: Tinta Negra Mole, Bastardo, Complexa.

World wine heritage of the Azores. In the middle of the Atlantic Ocean is the Azores archipelago where, out of the nine islands, five have vineyards: São Miguel, Terceira, Graciosa, Pico and São Jorge. In the past, and based on the Verdelho and Arinto dos Açores grape varieties, these wines became famous and highly exported. The current reality focuses on domestic consumption and cultural interest, where the fragrant wine produced with the American Isabella variety stands out. The vineyard volcanic landscape of Pico Island was inscribed on the World Heritage List in 2004.

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