Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto

O Douro é simultaneamente rio, vinha e vinho. Situa-se no Norte de Portugal e atravessa o país, desde a fronteira espanhola até à cidade do Porto, banhada pelo Oceano Atlântico. A vinha, protegida dos ventos atlânticos pelas montanhas do Marão e Montemuro, estende-se por 250.000 hectares de solos xistosos com um clima que dá razão ao ditado popular «Nove meses de Inverno e três de inferno». De entre os vinhos, tranquilos e fortificados, destaca-se o famoso Vinho do Porto, desde há muito considerado como um dos vinhos mais emblemáticos do mundo. Presente há mais de três séculos nos mercados mundiais, é atualmente vendido em mais de 100 países.

Os socalcos, os patamares e a vinha ao alto conferem ao vale uma personalidade única no mundo, que contribui para a produção de vinhos de excecional qualidade.

Uma combinação única de fatores – terroir, clima, vinha – tornou possível a esta bela região de Portugal, o Douro, produzir vinhos de perfis tão diversos, desde vinhos brancos secos, vibrantes e frutados, até aos Vinhos do Porto Vintage, robustos e encorpados, passando pelos tintos de excelência.

Em 2001, o tesouro foi revelado ao mundo, quando a região do Douro foi considerada Património da Humanidade pela UNESCO, na categoria de paisagem cultural, evolutiva e viva.

Um mundo de xisto e montanhas pontuados por picos de granito nos altos retrata esta região. Durante séculos, esta paisagem foi transformada em patamares com milhares de quilómetros onde foi e é possível plantar as vinhas e fazer crescer as uvas. Nada disto seria possível sem o trabalho hercúleo da gente do Douro e daquela que, de fora, veio trabalhar os socalcos e a terra.

Devido às características do terreno, a maior parte da apanha da uva durante a vindima ainda é feita à mão. Uma vez cheios, os caixotes pequenos utilizados na recolha das uvas são transportados manualmente vinha acima até camiões que depois levam a sua preciosa carga para a adega.

Os vinhos do Porto são produzidos pelo método de interrupção da fermentação com aguardente neutra de origem vitivinícola e apresentam entre 18% e 22% de álcool por volume, mantendo algum açúcar natural das uvas, que lhe confere um perfil doce e delicado. Apesar do elevado nível de açúcar residual, são dotados de uma estrutura e equilíbrio sendo cheios na boca, sem que sejam demasiado doces.

Embora haja vestígios de plantação de vinho desde os tempos do império romano, é no início da nacionalidade portuguesa, nos séculos XII e XIII, que se intensifica a produção de vinho nas terras durienses, para no século XVIII, a partir de uma crise profunda resultante da sobreprodução e da falta de qualidade, nascer a oportunidade, em 1756, de se criar no Douro a primeira região demarcada e regulamentada do mundo. A Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro nasceu por Decreto Real do Marquês de Pombal, primeiro-ministro à altura, tendo como objetivos estimular a produção, manter os preços e assegurar o prestígio do Vinho do Porto no estrangeiro, ao mesmo tempo que regulamentava o sector e condicionava a sua produção e comércio.

Porém, só na segunda metade do século XX e mais recentemente é que vinhos do Douro iniciam todo o seu esplendor. Na verdade, a vinificação dos vinhos da Região do Douro combina hoje a técnica mais sofisticada com séculos de tradição rigorosa. O método tradicional do Vinho do Porto era realizado através da pisa a pé em lagares retangulares de granito e produz, ainda hoje, vinhos com elevado potencial de envelhecimento. Hoje em dia, muitos enólogos recorrem cada vez mais ao aço inoxidável com temperatura controlada para retirar sabores mais delicados ao mosto. A combinação destes dois métodos dá maior complexidade aos vinhos: o vinho é armazenado em grandes vasilhas de madeira, cubas de aço inox ou em barris mais pequenos, chamados pipas ou cascos, onde envelhecerá graciosamente. Um casamento perfeito de vinho, madeira e tempo.

Embora exista uma multiplicidade de variações e de sabores, o Vinho do Porto classifica-se em quatro estilos principais, com base na cor e características de cada vinho. Os Porto Tawny têm um sabor divino graças ao contacto que adquirem com a madeira e o ar, após vários anos selados em pipas. Já os Ruby parecem caídos do céu, depois de um longo período em que permanecem selados em grandes cubas de aço inoxidável ou em madeira. Protegidos do ar, retêm o seu carácter primário, frutado e fresco durante muito tempo. Temos ainda os Porto brancos, versáteis e com grande amplitude de doçura e idade, e os Porto rosé, frescos e jovens, para aproveitar numa tarde de sol.

Destes quatro tipos, nasce a extraordinária paleta de cores, aromas e sabores que faz com que cada Vinho do Porto seja uma descoberta que só apetece partilhar.

Não há um momento para beber Porto, mas sim um Porto para cada momento, seja quando se procura relaxar, conversar ou, simplesmente, para acompanhar uma refeição.

Os Vinhos do Porto estimulam os sentidos e fazem com que cada momento seja especial e irrepetível.

Gilberto Igrejas

Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P.

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